Atualidades Internet

Muito além do Google: conheça a história dos buscadores.

Por incrível que pareça, o gigante das buscas nem sempre esteve nessa posição!

Archie Query Form, Veronica, Jughead, WebCrawler, Lycos, Altavista, Ask… Esses nomes podem lhe parecer estranhos, mas todos são buscadores que vieram antes do Google, que de tão famoso já virou até verbo (googlar, ou simplesmente Google, no inglês).

É difícil pensar em outro buscador que não o “Big G”: de acordo com dados do NetMarketshare, de março de 2018 a fevereiro de 2019, 77,65% de todas as buscas no mundo foram feitas com o Google, enquanto o segundo colocado, Baidu, abocanhou apenas 14,09% delas.

Porém, até que ele chegasse a esse patamar, muita coisa aconteceu no mundo dos buscadores. Aprenda mais sobre a história dos mecanismos de busca e como eles evoluíram até chegar ao que utilizamos hoje!


Qual é a história dos buscadores?

Tudo começou em 1990, em uma situação bem diferente do patamar atual, onde os buscadores fazem uso de aprendizado de máquinas, reconhecem pesquisas por voz e são bem mais inteligentes do que já foram no passado. Nada melhor para entender bem do que uma linha do tempo!


1990 – Archie Query Form

Pioneiro na área, ele procurava no FTP (File Transfer Protocol, ou protocolo de transferência de arquivos) dos sites, que é a conexão responsável por permitir a troca de arquivos entre computadores conectados. O objetivo era criar um índice de arquivos disponíveis para download.

Devido ao espaço limitado, apenas as listagens estavam disponíveis, e não os conteúdos dos sites.


1991 – World Wide Web Virtual Library (VLib)

Biblioteca virtual lançada por Tim Berners-Lee, famoso por ser o criador da World Wide Web (rede mundial de computadores). O servidor virtual da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) hospedava uma lista de servidores bem no início da Internet.


1992 – Veronica

Sistema que conseguia procurar por nomes e títulos de arquivos do protocolo Gopher, que fazia muito sucesso na época.


1993 – Jughead

Também procurava por nomes e títulos de arquivos em sistemas Gopher, similar ao Veronica, mas com a diferença de que só procurava em um servidor por vez.


1993 – World Wide Web Wanderer

Criado por Matthew Gray, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), era um bot que contava os servidores ativos e “media o crescimento” da internet. Depois de pouco tempo, ele passou a capturar as URLs propriamente ditas.

O banco de dados se chamava Wandex, e o bot acessava a mesma página centenas de vezes por dia, o que causava lags. Curiosamente, Gray começou a trabalhar em 2007 no Google e está lá até hoje.


1993 – Primitive Web Search

Trouxe novas tecnologias, como JumpStation (informações sobre título e cabeçalho de páginas usando pesquisa linear simples), World Wide Web Worm (indexação de títulos e URLs na ordem que eram encontrados, sem fatores de ranqueamento) e RBSE Spider (com sistema de classificação).

Porém, a menos que o título fosse digitado de maneira exata, era difícil encontrar a informação desejada.


1994 – Infoseek

Foi o primeiro buscador em que os donos de sites podiam enviar páginas para indexação em tempo real.


1994 – EINet Galaxy

Mecanismo eficiente graças ao uso de diferentes recursos de pesquisas na internet. Porém, sua biblioteca era desnecessária, graças ao pequeno tamanho da rede mundial de computadores na época.


1994 – ALIWEB

Criado por Martjin Koster, engenheiro de computadores alemão, o buscador era capaz de rastrear informações meta e permitir que o usuário enviasse páginas que eles quisessem ver indexadas, junto a uma descrição.

Não havia bots ou uso excessivo de banda, mas as pessoas não sabiam como poderiam enviar seus sites, o que limitou seu uso.


1994 – Yahoo!

Primeiro da lista que ainda é utilizado até os dias de hoje, foi criado por David Filo e Jerry Yang, tendo iniciado como uma coletânea de páginas da internet que continham uma descrição feita por seres humanos para cada URL.

Com seu crescimento, ele foi influenciado a se tornar um diretório buscador. Sites informativos podiam ser adicionados gratuitamente, mas eles expandiram seus negócios para adicionar sites comerciais. Levava um bom tempo até que os sites fossem incluídos.


1994 – WebCrawler

Primeiro crawler (programa que navega na internet para criar um índice de dados) capaz de indexar páginas inteiras, mas era tão popular que era difícil utilizá-lo durante o dia.


1994 – Lycos

Foi a público com um catálogo de 54.000 documentos. Fez uma tentativa para ranquear os sites de acordo com sua relevância e utilizava correspondência de prefixos e proximidade de palavras.

Em agosto de 1994, ele já tinha identificado 394.000 documentos, número que saltou para 1,5 milhão em 1995.


1995 – LookSmart

Competia com o Yahoo! através do aumento das taxas de inclusão, o que acontecia vez ou outra.


1995 – Excite

Buscador criado por seis estudantes universitários de Stanford, Califórnia, Estados Unidos.


1995 – Altavista

Buscador com largura de banda ilimitada, o que aconteceu pela primeira vez. Também foi o primeiro a permitir solicitações linguísticas naturais e tinha técnicas avançadas de busca.

Trouxe também a possibilidade de adicionar e deletar suas próprias URLs dentro de 24 horas e trazia dicas de buscas, bem como novos recursos em relação aos buscadores da época.


1996 – Backrub

Primeiros passos do Google. O buscador foi criado por Larry Page e Sergey Brin (futuros donos do gigante das buscas) e utilizava backlinks como método de busca.

O ranqueamento das páginas ocorreu através de citações, ou seja, quando havia a menção de um site em outro, isso contava como um ponto positivo. A autoridade dos sites dependia diretamente de quantas pessoas linkavam para ele, bem como da credibilidade dos sites em que esses links estavam.


1996 – Inktomi: HotBot

Trouxe como grande novidade o sistema de inclusão paga, embora esse não tenha sido tão eficiente quanto o Overture, que futuramente traria o recurso de pay-per-click (pague por clique).


1996 – Ask (na época, AskJeeves)

Mecanismo de busca com linguística natural, onde editores humanos tentavam corresponder a solicitações de busca. Distribuído por DirectHit, que tinha como objetivo ranquear links por popularidade, o que fez com que se tornasse fácil para a realização de spam.

Usava agrupamento para organizar sites pela popularidade de assuntos específicos, como em comunidades locais da internet.


1998 – MSN Search

Baseou-se em sistemas similares aos utilizados pelos mecanismos de busca Overture, Looksmart e Inktomi, até que o Google provou que seu sistema de classificação por backlinks era realmente viável.

Buscadores, Google, Yahoo

1998 – Google

Enfim, nasce o Google, que viria a ser o buscador mais utilizado e famoso de todos os tempos.


1998 – Overture

Originalmente Goto.com, foi a primeira empresa a ser bem-sucedida no oferecimento de pay-per-click, que permitia a inserção de sites e páginas mediante pagamento por clique.

1999 – AllTheWeb

Interface simples e prática, com recursos avançados que seriam, posteriormente, incorporados à pesquisa do Yahoo!


2009 – Bing

Surgiu como um rebranding do MSN / Live Search. Trouxe sugestões internas de busca por assuntos relacionados na própria página de pesquisa.


2011 – Schema.org

Ainda que não seja um buscador propriamente dito, foi uma iniciativa do Google, Yahoo! e Microsoft para manter e promover esquemas padronizados de dados estruturados, os quais são utilizados até hoje.


Mecanismos de busca: uma vasta história

Esses são alguns dos pontos mais importantes na história dos mecanismos de busca, os quais passaram por diversas atualizações até que chegassem ao que utilizamos na atualidade.

O Google, que é o maior buscador da história, passou por muitos updates, como Panda, Penguin, Hummingbird, Pigeon e Mobilegeddon, que alteraram consideravelmente seu funcionamento com o passar dos anos.

Inclusive, o que alçou o Google à posição que ocupa hoje foi justamente a preocupação de oferecer ao usuário o melhor resultado possível para o que ele precisa e deseja, o que por sua vez fez com que o público percebesse isso e o adotasse como buscador favorito.

De acordo com o SearchEngineLand, o Google efetua aproximadamente 5,5 bilhões de pesquisas por dia, o que equivale a 63.000 pesquisas por segundo. Isso ajuda a explicar o sucesso atual e esmagador do gigante das buscas – alcunha merecida, diga-se de passagem.

Se você consegue encontrar tudo o que precisa na internet, seja a receita de um bolo, o vencedor de uma partida de futebol ou os melhores cursos online, agradeça ao Google, mas também ao Archie Query Form, que desbravou essa área, e a todos os outros que vieram depois. Afinal de contas, cada um teve papel essencial na evolução das buscas online.

Luis Carlos Sá
Formado em Análise de Sistemas, blogueiro e um apaixonado por tecnologia.
http://www.infotecblog.com.br/

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